Rubinho Troll

Press-release

A volta do que não foi mas que se mandou

 

Rubs Troll está de volta com o CD Stinkin Like a Brazilian, que levou pelo menos seis anos para ser completamente finalizado. “Quem não o conhecia e já ouviu Stinkin, acabou se apaixonando por este ser estranho que vive lá em Londres”, como bem traduz Fernanda Takai. Para quem sabe de quem estamos falando, este é um momento há muito esperado. “Acho que o John (Ulhoa), tendo se tornado um grande músico e produtor, decidiu me mimar em um projeto-vaidade”, resume Rubs Troll sobre o feito deste trabalho, que reúne 11 canções novíssimas, um cover do DeFalla (‘Repelente’) e três bonus tracks da década de noventa : ‘Ah!quele Dinheirinho’, ‘Fingido’ e a vinheta ‘Ben & Janna’, gravadas já em Londres em um porta estúdio de 4 canais em 1994.

“O universo de Troll é muito bom – um de seus grandes trunfos:não é genérico: é específico e isso é precioso. Ele coloca temas cabeludos, polêmicos, de uma forma leve e inteligente. ‘Ah!quele Dinheirinho’, por exemplo, fala exatamente o que todo mundo pensa sobre o assunto”, continua Takai, que gravou várias músicas de Rubinho ao longo de sua carreira à frente do Pato Fu. “Como cantor, ele é muito peculiar. Nunca vi ninguém cantar assim – uma liberdade, um jeito estranho que cabe muito bem na canção que escreve. Todo vocalista vem de uma escola – ele não, inventou a sua propria. Há ali uma elasticidade da personalidade vocal, uma exuberância”.

Para o produtor John Ulhoa, Stinkin Like a Brazilian traz o que mais falta por aí: personalidade, som próprio, discurso próprio, timbres próprios. “Quem se liga nisso vai gostar”.

Stinkin…marca, ainda, a volta em estado puro – porém versão século 21 – da dupla Rubs Troll e John Ulhoa,personagens centrais de uma das obras menos conhecidas do rock’n’pop dos anos 80,registrada nos únicos dois vinis do Sexo Explícito tardiamente editados no início dos 90, há muito fora de catálogo e disponível só de relance no YouTube.

Transpirando inspiração

A motivação para criar o material de Stinkin Like a Brazilian veio dois anos após a vinda de Rubs Troll ao Brasil, em 2003 – fazia nove anos que ele não colocava os pés no país. Dali saíram, entre outras,‘Alma Turbinada’ e o título ‘Fedendo como um brasileiro’.

“Fui confrontado com uma nova realidade, novos jargões e a cultura do físico, de ficar bonitão, potencializado demais no Brasil. E achei engraçada essa nova gíria da “mulher turbinada” e do “cara saradão”,que desembocaram na ideia do ‘fedendo que nem um brasileiro’,que como o resto,tem mais de um significado. “Quando gravei na casa do John,não estava mais acostumado ao calor tropical de verão e suei demais. Daí a exclamação de surpresa:Tô fedendo que nem brasileiro! Outra coisa que me chocou foi o crescimento da igreja evangélica – ouvir rádios com pregação 24 horas. Quando saí do Brasil isso não estava tão em evidência. Então, achei engraçado estes dois fenômenos – o culto religioso e o culto ao corpo – estarem acontecendo no país em uma mesma época, com a mesma obsessão”.

As novas músicas circulam muito por estes dois polos, fazendo a cama para o recheio de letras e sons que levam a assinatura única de Troll –a crítica social, misturada a um papo meio surrealista, algumas vezes mordaz e que, no mínimo, instiga o ouvinte.Tudo com um som gostoso, balanceado, que acentua este lado tão peculiar, sarcástico, impassível, que faz você querer sair cantando ou usar como bandeira para espantar o mau humor do dia.

Rubs compôs, cantou, sobre-cantou e tocou todos os instrumentos. Lulu Camargo, do Pato Fu, participou e fez os arranjos na música ‘Fique comigo neste natal’, que conta também com os vocais de Alexis Murphy, cunhada inglesa de Troll. A cantora/fotógrafa de Pelotas, Gabi “Groo”, colaborou em um dueto via internet em ‘Peçonhas Ocultas’ e nos backings em ‘5 cordas’. John entrou com sua guitarra, baixo, programações, alguns backing vocals e, claro, a produção final.

‘Alma Turbinada’ é uma pílula curta e direta que traduz bem o espírito do CD: “ traga o seu gelo para mim/estou derretendo/tentando aliviar a pressão/ de sorrir sofrendo/ quando pego a chave/ é uma fechadura/o teto se abre/ mas não vejo a rua/ não cola cinismo/ no mundo selvagem/ se os 30 na cela/ é de primário incompleto”.

‘Peçonhas Ocultas’ começa com um som bem garagem e com uma pegada de banda indie inglesa, para rapidamente virar puro som Rubs Troll, com os fantásticos riffs da guitarra de John Ulhoa. “Procuro guarida na frequência modulada/ cantor de rádio parece sempre ter resposta para tudo”.

‘Fique Comigo neste Natal’ é ateísmo gospel, com um toque de música-mensagem-de-natal de final de ano e arranjo orquestral de Lulu Camargo. ‘Por isso Jesus não falhou/ e veio pessoamente/ mostrar que somos mais que animais/ por isso Jesus não falhou/ com vocês pessoal, então por que viajar neste natal?”.

‘Gênio de 3 Corações’ tem como tema Pelé, um exercício matemático entre gols marcados e não marcados, que lembra muito a veia de ‘Necrofilia da Arte’, do Sexo Explícito, regravada pelo Pato Fu em 1998. “Quem sou eu para criticar um gênio/ que venceu ingleses e alemães/ quem sou eu pra criticar um gênio de 3 corações”…diz ele ao som do ritmo antigamente conhecido em BH como Bilisquete.

‘Linda’ é sobre a tragédia dos últimos dias de Linda Batista, uma das maiores cantoras populares do Brasil. Seria funk, se não fosse pop e seria rock se não fosse som de pista moderna, com seu vocal tipo “beduíno com sede na praia”, sua marca registrada. Desde que se deixe claro que o que Rubs faz não é música brasileira – estritamente falando. “Finalmente morreu Linda após a curta glória/ suja triste e só, finda uma vida de excessos/ nua, coberta de esterco, brandindo contra os intrusos…”

‘Você só quer tocar seu violão’ traz a personagem feminina do CD, cantada em falsete e detonada no pitch-shift. Aqui o som acelera e parece conter nos 3:40 minutos de duração toda a carga sonora que passa pelo disco, como em um desenho animado alucinado.

‘Repelente’ é uma versão do clássico do DeFalla. Rubs canta os primeiros versos como em um repente, de novo em seu estilo peculiar, até aderir à massa sonora que remete à versão original, a de Edu K, em um dos vinis mais importantes do rock’n’roll brasileiro.

À ‘Repelente’ emenda ‘Hoje eu me vi por dentro’, que literalmente fala da experiência de passar por uma endoscopia. Não se sabe se é pra rir ou pra chorar! Na sequência, a curiosidade psicológica comportamental continua em ‘5 Cordas’ – “batendo cinco cordas eternamente / mando recados pra central / recebo uma resposta molhada/ vivo guiado por meu…”

‘Ande no Chão’ é o ao vivo que nunca existiu, sampleado, com aquele público ávido pelo seu ídolo cantando “quando seu sapato criar furo na sola/ tente ser sensato, não embique a bola/ se estando de quatro mudar onde ce mora/ guarde seu salário em uma viola/ ande no chão gente não voa não/ o Povo é mais pesado que o ar”

‘Minha Vida é uma Bosta’ é no ritmo “Motown-Pscicodélico” e trata da estupefação do letrista ao ser confrontando com o modo de vida após a pós-modernidade. ‘Talvez nesse Verão a Vida Vá Mudar’ fecha as inéditas do CD no mais clássico estilo Rubs Troll: explosões, tiros de canhões, lazers e phasers, “como se fosse uma trilha sonora para a subida de um exército alienígena em morro carioca em dia de final de copa do mundo”, como resume Troll. “Eu sei que a vida parece que vai mudar/ pois já está com as malas prontas há um tempão/ tá me pedindo um pra condução”.

Rubstroll ainda nos beneficia com 3 bonus tracks: ‘Ah!quele Dinheirinho’,‘ Fingido’e a vinheta ‘Ben& Janna’ .

Sonia Maia

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